Psicologia em Prática:

Pílulas de (auto)Conhecimento

O Jardim das Ilusões!!

Olá seres atravessados pela era da Informação. 

Por conta da demanda dos alunos de graduação, que se vêm frente a uma enxurrada de informações que precisam ser filtradas, percebo certa confusão em relação a saber o que é, e o que não é confiável para ser usado como referência. 

Bem, seguem aqui algumas direções que úteis tanto para quem está em fase de pesquisas acadêmicas, estudos para atuação profissional, quanto para quem faz leituras ou consome conteúdos de forma espontânea seja em blogs, youtube, podcasts e mídias sociais. 

A primeira orientação a se ter em mente é: uma informação ser publicada em um livro não é garantia de sua consistência. O mesmo vale para publicações em revistas de circulação geral (não acadêmicas), vídeos no youtube, posts do twitter. O que é dito, precisa ser verificado, isto é parte do processo de aprendizagem.

Isto leva à segunda orientação: Quem é o autor? Qual a confiabilidade da fonte desta informação?

Verifique a relevância do autor e sua produção técnica/acadêmica antes de citá-lo. 
Mesmo as novas teorias quando surgiram na história, por mais que tenham enfrentado certa resistência acadêmica, estavam sustentadas por um conjunto de teóricos/técnicos que a endossavam. Um exemplo é a própria psicanálise com a “sociedade das Quartas-feiras”, formada por médicos e estudiosos interessados, como Freud, em estudar a fundo o psiquismo Humano. Mesmo nestas casos, apensar de uma resistência inicial, uma construção de conhecimento séria demonstra consistência teórica que se manifestam em dados e publicações que conquistam prestigio entre outros cientistas, que por sua vez irão citar estas publicações em suas próprias.

De extrema importância para a ciência do conhecimento (epistemologia), Thomas Khun definiu que a estabilidade de um campo científico pode ser observada pela aceitação dos paradigmas deste pela comunidade de pares deste campo. Khun previu que discussões entre escolas são possíveis e até fazem parte do processo esperado em uma revolução científica porém, em momento algum sustenta que uma linha de pensamento poderia se sustentar diante da total desaprovação do meio científico.

De forma prática, existem indicadores para saber o quanto um autor é citado em sua área. O próprio Google scholar (acadêmico) é uma forma simples de saber o índice de citações de um autor que recebe por sua obra, o chamado i-10. O cuidado a ser tomado nestes casos é verificar de forma não apenas quantitativa (número de citações), mas também qualitativa, para evitar aferir credibilidade a algum autor que esteja sendo citado por ser constantemente refutado, ou apenas citado como alegoria, o que seriam na verdade indicadores negativos de confiabilidade. Mas, como fazer isto? Indo às fontes, lendo, pesquisando… Afinal, como diz Contardo Calligaris em sua coluna à Folha, para não dar opiniões esdrúxulas, leia pelo menos 4 livros de autores diferentes sobre o assunto. 

Portanto, desconfie de quem produz somente fora do meio acadêmico, isolado e desprezando a academia – geralmente um sinal de defesa. Busque a consistência dos dados e da teoria, procure saber se a interpretação do autor tem ressonância no meio. Sem verificação dos pares (outras pessoas da área) a produção pode ser um mero delírio do autor, no qual você arrisca embarcar quando não busca outras fontes.

O jardim das maiores aflições é o Jardim das ilusões!!

Daniel R. Branco

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