Psicologia em Prática:

Pílulas de (auto)Conhecimento

Fugir para a Natureza, ou encontrar-se com ela?

Um artigo publicado em 2008 por Berman, Jonides e Kaplan já demonstrava que caminhar pela Natureza, longe dos estímulos urbanos, traz benefícios cognitivos como restauração de algumas capacidades essenciais à memória e ao foco. Depois disto, vários outros artigos foram publicados indicando benefícios para auxílio no tratamento de ansiedade, depressão e bipolaridade, alguns com resultados bastante promissores (sem, contanto, dispensar o tratamento Psi).

Provavelmente, quem já teve este tipo de experiência de desligamento do fluxo cotidiano concorde com estas pesquisas. Com a procura cada vez maior de pessoas por esportes na natureza, mais dados tem sido produzidos corroborando a hipótese de que o contato com o mundo natural traz benefícios à saúde além da atividade física em si. Mas, apesar de relevantes, estes dados merecem levantar outra questão. Que direção nossa sociedade está tomando, que o dia a dia passa a ser considerado tóxico, a ponto de necessitarmos de momentos de fuga para restauração de capacidades mentais básicas?

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Aparados da Serra – 2019.

Os movimentos como das Slow Cities (que se inspiraram no Slow Food) perceberam isto já há algum tempo e “desaceleraram” o ritmo, afim de permitir maiores laços entre os indivíduos, maiores laços comunitários e… (surpresa!) melhor qualidade de vida.

Portanto, fugir para a natureza pode ser um bálsamo para o aceleramento, assim como para as cobranças da “vida”. Mas, quem sabe, da natureza podemos trazer o sossego, o equilíbrio e a sustentabilidade para nosso dia a dia. Sustentabilidade de retirar/produzir aquilo que necessita, consumir o que é necessário e não mais pois, mais, nestes casos, significa mais custos, mais trabalho, mais cobranças, mais sofrimento. Este “mais”, que não tem fim, significa a entrada no tóxico ciclo que gasta o planeta, consome o sujeito e desgasta relações e comunidades.

É possível que a solução esteja bem diante de nossos próprios olhos e que, com menos e não mais, o dia a dia poderia ser menos tóxico, para que a Natureza possa ser uma opção de encontro constante, e não de fuga desesperada.

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Foto de Bruno Haller, Aparados da Serra, RS, 2019.

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